quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Conheça os vencedores do XIII do Concurso de Poesia Luís Carlos Guimarães


Abertura dos envelopes revelou um novo talento seridoense e consagrou mais dois nomes já conhecidos da literatura potiguar

SecultRN/FJA apresentou o nome dos vencedores do VIII Concurso de Poesia Luís Carlos Guimarães, em solenidade pública realizada na tarde desta quarta-feira no Teatro Alberto Maranhão. A abertura dos envelopes revelou um novo talento seridoense e consagrou mais dois nomes já conhecidos da literatura potiguar. O 1º lugar foi para a professora e poetisa curraisnovense Maria Marcela Freire; O 2º lugar ficou com Márcio Simões, ensaísta, poeta com livro publicado, proprietário da editora Sol Negro; E em 3º lugar vem o também ensaísta e poeta Paulo Caldas, professor do IFRN em Ipanguassu, conhecido por ser um crítico de grande fôlego teórico.

Todo o processo de apuração foi acompanhado por Márcio Lima Dantas, professor de literatura da UFRN, junto aos membros do júri Yuno silva e Adriano de Sousa. O terceiro membro do juri, Daniel Dantas, não pôde estar presente na abertura dos envelopes. De acordo com Márcio "O Prêmio LCG cumpriu seu propósito, que é fazer surgir novos talentos poéticos, pois o primeiro lugar veio do sertão de Currais Novos; o segundo e terceiros lugares,consolidam dois nomes já conhecidos na nossa cena literária,” enfatiza.

A seguir, uma breve biografia dos artistas e alguns de seus poemas:

1° Lugar - Maria Marcela Freire

Curraisnovense, seridoense e com muito orgulho norte-rio-grandense. Maria Marcela Freire, também conhecida por alguns colegas de faculdade, trabalho e poesia como Mamafrei.


É formada em Letras pela UFRN (Língua Portuguesa/Inglesa e suas respectivas Literaturas), campus de Currais Novos. Foi aluna bolsista e voluntária de Projetos de Extensão e de Pesquisa. É poetisa, possui um blog de poesia: http://venusrenascida.blogspot.com.br/; é ministrante de oficinas de poesia e coordenadora do grupo “Poesia Potiguar & Cia”.


Vivendo a perigo

Quero amor silencioso,
balbucio

Quero lamber teu rosto
igual loba no cio.

Dança do ventre

Clara odalisca
tua roupa

c

a

i

no ritmo
da minha saliva.

Em nome da pele

Minha pele anda tão faminta...

que devoraria o teu toque
nas curvas de uma esquina.


Braile

Aprendi a domar
meus medos

confiando em meus
próprios dedos.

2° Lugar - Márcio Rodrigo Xavier Simões

Natural de Caicó-RN, é graduado em Letras e mestre em Linguística pela UFRN. Publicou resenhas e artigos de crítica literária nas revistas Preá, Badalo e Agulha. Tem poemas publicados nos livros IV, VI, e VIII do Concurso de Poesia Luís Carlos Guimarães, da Fundação José Augusto, anos 2004, 2006 e 2008 e no do 3º Concurso de Poesia Zila Mamede, 2006. É editor e idealizador da Sol Negro Edições. Publicou em 2008, pela Flor do Sal, o livro de poemas “O pastoreio do boi”.

NOTURNOS

I
tempo pra perder, e ganhar com ele a paciência
tranquila das horas amenas
quando as ameixas do mato desfloram seus frutos
e procuramos em vão, dentes cravados no pomo amarelo,
na curva do morro pétalas e pistilos de corolas que caíram

II
uma coluna negra de nuvens atravessa o céu
cindido em dois – um lume claro de um lado
a outro atrelado de acácias e cachos
de estrelas

III
suave o sair de casa, inalar o ar da noite
colher do orvalho abrigo para a alma ressecada

IV
espalho hábitos colhidos e escolhidos pelos dias
executo engenhos, aplico-me a tarefas enquanto
uma criança me desloca com a serenidade de um pequeno deus

V
caminho sozinho pelas vielas até a beira do rio
imitando o andar calmo de seu passo lento
e refletindo descontínuo à face das águas
o sol claro de céu à sombra das nuvens

3° Lugar - Paulo de Macedo Caldas Neto

Graduado em Letras/Língua Portuguesa e Literaturas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Nasceu em Mossoró, mas reside em Natal desde os 3 anos. Tem mestrado na área de Literatura Comparada pelo Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem-UFRN e atualmente é doutorando nesse mesmo programa. Lecionou como professor efetivo nas Redes Públicas de Ensino do Estado e do Município de Natal até 2011, quando saiu, após aprovação em concurso público, para o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, onde leciona Língua Portuguesa e Literatura Brasileira no Câmpus de Ipanguaçu/RN.

LICOR DE POEMA

O poema - R$ 1,50 no boteco mais próximo.
A estrofe - exército rente à praça popular e sem generais, porque já não enganam com o Apocalipse.
O verso - o tiro de fuzil nos barracos infectos.
O ritmo - bala perdida a cantar na dor dos eremitas noturnos
e nas suas melodias sem êxito, obscuras de linguagem.
Metro - antes o teor alcoólico restante na língua salitrada dos mestres corretos,
devorando as musas do Parnaso numa nuvem hipócrita e repleta de algarismos.
Pobres postulados, abrindo caminho para uma rebeldia nova: o uso do crack injetável na veia do prazer. E agora, bolha de parasitas
de um palácio saudita deformado.

Promiscuidade: versos cabendo consoantes como centro da sílaba;
estrofes brigadas do resto do conjunto; rimas fuziladas por diversão;
métrica doente e fonte de veneno que mata, instantânea,
sem mais tempo para o deleite.

Cicuta que há muito constrói minha vontade do só sei que tudo sei
quando me desafio
para nunca querer saber do poeta,
que me convence de
não bebê-la.





2 comentários:

  1. Marcela Freire é mesmo talentosa, sempre soube disso. Orgulho de tê-la em nosso chão seridoense...

    Luciana Carvalho

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  2. Fruto e/ou reflexo das leituras de meus poetas potiguares! Inclusive, dos meus poetas curraisnovenses: Suetônia Batista, José Bezerra Gomes, Luís Carlos Guimarães, Maria José Mamede, Aldenir Dantas, Theo Alves, Iara Maria Carvalho, Wescley J. Gama, Maria Maria, Você...rsrs

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